sexta-feira, 30 de maio de 2014

A mãe nasce quando o filho nasce?

Minha história tem um quê de loucura, como tantas outras por aí... Diria até um quê de incredibilidade, pois tem muita gente duvidando que eu esteja falando a verdade, realmente... Pra esses eu dou de ombros, pois nada tenho a provar... Eu mesma ainda estou tentando me convencer de tudo.

Há duas semanas senti uma protuberancia no meu umbigo... havia ficado dois dias andando horrores, com um certo peso, e desconfiei que poderia ser uma hernia. Pesquisei no google, e ele voltou com respostas do tipo cancer de ovário. Voltei para minha cidade, e a primeira providencia foi procurar um médico. Ao me examinar, ele logo constatou: você está gestante!
Aquilo para mim foi como se tivesse ouvido uma piada, um absurdo... fiz uma breve retrospectiva na minha cabeça: tomo remédio há pelo menos 12 anos, sendo o ultimo ano continuo, ou seja, nao menstruava há muito tempo. Jà fiz tratamento para ovarios micropolicisticos, e na época meu go disse que se eu quisesse engravidar algum dia, teria que fazer um tratamento. E principalmente: filhos não estavam em meus planos.
Me virei para o médico, um conhecido, e disse que era impossivel. Ele calmamente falou que ia pedir um exame de sangue, e comprovaríamos a suspeita dele, e eu concordei. Porém antes de sair do consultório, ele me chamou de volta, e disse: vamos tirar a prova agora. Me levou para uma sala, e me fez escutar um tumtumtum frenético. É, ele estava ali, e disso não havia dúvidas.
E eu comecei a chorar copiosamente, e não me envergonho em dizer que não foi de emoção. Pelo menos não dessas que todos imaginam que as mães sentem ao descobrirem que estão grávidas. Meu choro foi de medo, de pavor, de dúvida... de um "que que eu vou fazer da minha vida agora?".
Foram mais dois dias de consultas, até fazer um ultrassom, que comprovou não só que ela estava ali, com seus bracinhos e perninhas, olhinhos, boquinha. E que era uma menina. Descobri que estava grávida já com 5 meses.
Eu tive e tenho todo o apoio das familias (minha e do pai), o pai recebeu a noticia também com surpresa e um certo temor, mas muito melhor que eu. Mas o que ninguem nos ensina é que esse sentimento materno de amor incondicional é algo que vem aos poucos. Todos fazem a gente se sentir culpadas por não ter um amor louco pela criança no primeiro minuto da descoberta. E não é assim. Talvez com quem se programe e sonhe com isso a vida toda a coisa seja desse jeito: amor a segunda linha do exame, amor ao resultado positivo, amor ao tumtumtum... Mas comigo, e com tantas outras, não foi assim... Primeiro veio a preocupação com minha vida... com os muitos planos que estavam sendo rasgados ali, naquele momento. Depois uma preocupação neurótica com a vida da criança: Será perfeita? tem alguma doença? ta tudo certo??? ...
Não engordei nada. estava com uma pancinha de chopp, de sanduiche e pizza. pequena, e facilmente deletavel com uma dieta e caminhada... Outros sintomas? não. Tive muita enxaqueca, mas sempre tive, desde meus quinze anos. Tenho muita azia, e isso tb sempre tive, com uns 16 tive ulcera.... os primeiros meses do ano foram de trabalho intenso, domingo a domingo, viagens cansativas, andei muito de moto, em estrada de terra, tomei mt bebida alcoolica.... E nada disso impediu que ela continuasse crescendo e se desenvolvendo "nos parametros normais"... Atualmente ela tem 30cm, 800g, e 25s4d
E quando esse amor arrebatador vai me arrebatar?? Eu fico me perguntando.... Já criamos um laço, isso é indiscutivel. A partir do momento em que soube da sua existencia, comecei a ler, e a rezar e pedir a Deus pela saude dela. Converso, peço desculpas pelo choro, pela dureza as vezes.
Se você não acredita em Deus, quando começa a sentir os movimentos do bebê, começa a imaginar a vida que está sendo criada em seu ventre e começa a acreditar em pelo menos uma luz, uma grande fonte de energia e amor. Nunca  tive dúvidas da existencia de Deus (embora já tenha xingado ele um bocado) mas nunca tive tanta certeza quanto agora. Ainda choro, ainda me pergunto o que vou fazer, e tenho pouco tempo pra resolver muitas questões: parto, médico... A barriga, desde a descoberta, cresce tb freneticamente.... Mas esse reforço na fé em Deus tem me ajudado a acreditar que tudo vai dar certo.
E que logo serei mais uma a padecer no paraiso....